sábado, 13 de agosto de 2011

quarentena

eu ando meio ausente. ando fora do lado de dentro, isso já faz certo tempo. uma hora a gente acaba perdendo a conta dos dias que passaram sem que a gente se encontrasse, sem que a gente se quisesse procurar. a vida acaba acostumando, sempre. a gente acostuma a olhar pra frente, a não dar meia volta quando é necessário. acontece toda hora: é fácil se reconstruir quando não se deve fazê-lo, mas quando é extremamente importante, não dá. o certo seria abrir os olhos. eu abri: poderia ter te dado muito mais. poderia ter sido muito mais de mim pra ti. poderia ter sido mim junto com ti. sem nenhuma virgula pelo meio, pra não precisar colocar espaços depois. eu poderia, eu deveria, eu gostaria. eu quero ter certezas, e talvez só tenha certeza disso. fora as coisas boas que vieram com o tempo, com a convivência, com todo o amor que a gente troca, destroca e põe de volta no peito, cada vez maior. e ninguém mais acredita. o ruim do arrependimento é que ele só vem depois que já está tudo quebrado, que o nós já se despedaçou. você me disse, pouco tempo atrás, que não é bom ficar remendando os pedaços de qualquer jeito. seria melhor jogar fora, deixar passar, procurar algo novo pra construir. mas é certo que a gente, na maioria das vezes, escolhe o caminho mais difícil. a gente quer fazer dar certo o que todo mundo diz que não dará. e nem é esse o ponto. eu nos arremessei pro alto e depois quis amortecer a queda. mas não deu. pesou demais. é tudo uma junção de erros e coisas não pensadas que foram crescendo e acabaram ficando mais pesadas do que a força que a gente tem. ou não. de vez em quando eu penso que não mudou absolutamente nada. a gente ainda sonha com as mesmas coisas, e também as sente. mas é tudo por causa dos remendos, sabe? é preciso alguma cola especial que a gente ainda não achou, mas que prometo procurar. é preciso dobrar as mangas, as barras do jeans. é preciso sarar. eu tô em fase de recuperação faz tempo, mas parece que cada pílula me põe mais pra baixo. as escolhas são colocadas em doses exatas dentro de pequenas cápsulas, e a gente não deveria abusar delas. tomo 10 por dia. e o efeito é o mesmo de qualquer outra droga, mesmo as leves: não dá pra pensar, não dá. e nada justifica, eu sei, o fato de que você sempre foi mais. eu não sei mais usar a pontuação de modo correto. a gente precisa respirar. mas eu quero sentir você roubando um pouco do meu oxigênio, como de costume, enquanto olha dentro dos meus olhos e pede pra eu ficar. é, a gente precisa respirar. e eu realmente não entendo como você ainda pode querer que seja no mesmo ritmo, mas eu também quero. é só não sair de dentro.

obs.: as palavras foram pensadas assim: todas juntas, emaranhadas, quase sem pausas. você sabe, isso tudo é pouco. tem tanto mais...

2 comentários:

Leti B. disse...

muito sentimento que você vomitou em palavras enquanto deveria ter desabafado em toque... mas eu entendo que nem sempre é como a gente quer, como a gente quer que seja. só não deixe de tentar. se é preciso tempo para respirar, que respirem, mas não desistam.

Stella Rodrigues disse...

Senti vontade de desabafar meus reflexos quando li os teus. As vezes nosso melhor amigo é onde a gente pode como disse nossa miga ai de cima "vomitar palavras" sem se preocupar com os comentarios. Obrigda por me inspirar pequena :*