quinta-feira, 28 de maio de 2009

O Impossivel, (continuação)

Talvez meu alivio tenha sido um aviso. Me estavam sendo antecipadas informações valiosíssimas, mas eu só descobriria isso algum tempo depois. É difícil guardar um segredo assim, quero dizer, por que eles existem, afinal? Só pra despertar curiosidade mórbida em pessoas inocentes? Enfim, não devo estar sendo clara, mas não importa agora, como estava escrito na dedicatória, “de uma hora pra outra a mente clareia”, então de que adianta preocupar-se?



Segunda-feira , 20 de novembro de 2009 [21:19 h]



“ É provável que eu não consiga descrever com absoluta precisão o quão maravilhosas as coisas parecem ser neste lugar, quero dizer, tudo aquilo que eu não ligava antes passou a ter um significado especial quando aqui cheguei. Talvez eu tenha começado a dar esse valor às coisas simples porque não tenho muito o que fazer aqui, apenas me deito na relva, o brilho do sol em meus olhos..ah, desculpe-me, eu não posso ouvir a palavra brilho, ainda tenho dúvidas se aquilo foi apenas um sonho ou se realmente aconteceu, na realidade, eu posso ter mesmo caído.. e se eu estiver no paraíso agora? Eu realmente tentei ser boazinha durante a minha existência, talvez a recompensa seja esta. Li uma vez em um livro que Deus é estranho e nós somos destorcidos, pode não passar disso, afinal.

Perdão novamente, envolvi-me tanto com os detalhes que esqueci por completo da minha descrição do lugar, mas isso sempre acontece... Enfim, o sol brilhava em meus olhos e eu os fechava. Tive certo receio de fechá-los, no inicio, esperava que, ao parar de observar, tudo desaparecesse em um repente, exatamente como surgiu. Em um segundo muita coisa pode mudar..foi uma das coisas que aprendi aqui.

O ar tem cheiro de sabedoria, se é que ela tem cheiro, os mares transbordam esperança, mas ainda não consigo olhar direito pra todas essas árvores, elas possuem segredos absurdos, talvez grandes demais para uma pessoa como eu.

Nesse momento encontro-me deitada à margem de águas claras, em breve receberão um nome, quero dizer, isso se meu sonhe dure tempo o bastante. Por enquanto ainda não tenho moradia, mas amanhã irei explorar o lugar, quem sabe segredos não me serão revelados mais cedo do que eu espero..”




Foi a minha primeira anotação no caderno. A primeira de muitas que ainda viriam. Nesse dia ela foi deixada à margem do rio, e no outro dia não estava mais lá..



(Continua...)

Um comentário:

márcia amaral disse...

simplesmente perfeito *-*