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domingo, 15 de novembro de 2009

fim do primeiro ato.



Passou.
Vermelho-vida
ao preto-morte.
Mudou.
Ficou mais forte.
Como o olhar
que te dirijo.
Olhe pra mim.
Volte a olhar pra cá.
Da morte à vida.
Sem vice-versa
Sem reticências,
sem o exitar
deste meu pulsar
que foi indo embora
em uma dessas noites
do mês de novembro.
Hora já não lembro.
Mas quase terminou.
Ponteiro parou.
Tic- tac surdo
se misturou
à minha voz que grita.
Está findando o mês.
O ano também.
Acabou o novo?
Acabou o 9?
E tudo aquilo sobre renovar?
Passou o 11.
Voltou o 0 (zero).
Já deu meia-noite.
Não fechei os olhos.
Fiz um outro fim.

Ciclo novo.
Circo sem fim.
Ato 2.

mariana andrade*

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Contradisse. (sem dizer)


Reguei,
mas as flores já estavam mortas.
Enfraqueci,
mas há muito tempo a força estava no lixo.
Voltei,
mas não havia nem ao menos ido.
Falhei,
antes de tentar, diria eu.
Quis,
e disse que foi sem querer.
Fiz,
mesmo não querendo fazer.
Acabei,
mas, olha, nem sei se havia começado.

Começo.
Vermelho.
Meio.
Azul.
Fim?


cinza.
como esta página.


mariana andrade*

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Sacode, sacode o pó!


É só o pó.
Só o pó que escondeu-se atrás das cortinas.
É só.
Só isso.
Só a poeira que sobrou de tudo.
Só as partículas que ainda resistiram
a todo o sufoco que é
esconder-se do potente aspirador de pó.
Ele ía sugando.
Procurando mentiras
nos lugares mais improváveis.
São brechas, são cantos
de lugares que, antigamente,
ocupavam-se por completo
de todas as cores.
Umapor uma,
transformando palavras em realidade.
Juntas.
Preenchendo cada local,
cada vazio.
Agora não.
Agora as cores aparecem
apenas na maior parte.
Não mais em todas as brechas.
Nos pequenos, porém essenciais, cantinhos
há só o pó.
A mais verdadeira mentira, eu diria.

Vou colar todas as partículas,
juntarei todo o pó.
Primeiro isso.
Depois você terá as respostas.
É uma promessa.

mariana andrade*

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Reticenciar-me-ei...


Espere.
Explicar-te-ei o que significa
reticenciar-se.
Primeiro dar-te-ei ouvidos,
então esperar-te-ei até que termines de falar.
Sim, depois de tanto tempo,
ouvir-te-ei do começo ao fim.
Provavelmente, assustar-me-ei com o primeiro assunto.
E transmitirei minha preocupação.
É sempre assim.
Tornou-se rotina.
Há algum tempo eu disse: rotinar-me-ei.
De fato, o fiz.
Por isso, afirmo que as reticências
que me atingirão agora,
só durarão o curto período de tempo
até que eu me arrependa.
Arrepender-me-ei de não tê-lo ouvido,
de não tê-lo esperado antes.
Antes que todas as cores,
desde o nascer do sol
até o cair da noite,
transformassem-se em
pura rotina.
Com o ciclo completo,
indo do pensar
ao arrepender,
Concluo agora, e por pouco tempo.
Reticenciar-me-ei.


Já não sobrou um quarto ponto
para colocar no final...


mariana andrade*