sábado, 5 de novembro de 2011

acontecerá.

hoje eu vim do mesmo jeito de sempre: com o cabelo preso num rabo de cavalo bagunçado e sem perfume graças ao esquecimento costumeiro. e por mais que você reclame, eu quase nunca lembro. aliás, nem do perfume, nem da roupa bonita, nem da maquiagem no rosto. posso lembrar quando saio pra outros lugares, mas não quando vou te encontrar. e não é descuido não, meu bem, nem falta de interesse. é porque contigo eu posso ser.
anoiteceu faz um tempo, e disso eu lembro bem. lembro dos gritos de dentro pra fora, de fora pra dentro. e a bagunça do quarto e do passar acelerado dos dias se perdeu no meu peito, na minha mente, e prejudicou o laço que apertamos há mais de dezesseis meses. e a gente viu a noite aparecer sem estrelas nem lua, sem fé nem vontade. sem verdade.
é de regra: a gente lembra mais dos dias simples do que de quaisquer outros. de cada detalhe de horas sem detalhe nenhum. eu juro que lembro do cheiro da chuva de alguns desses dias. ou da cor do céu, ou do riso das crianças correndo ali por perto, ou do ônibus que demorava e me deixava cheia de raiva. mas chegava. e te trazia. e contigo o sorriso de ambos os rostos.
eu tenho teu cheiro guardado na minha gaveta, sinto teu carinho na minha nuca, me certifico do teu amor ao olhar pro anel nos dedos, e foi por esse motivo que, nem quando tudo parecia desmoronar, o tirei dali. te mantenho guardado no sonhos, nos desejos, nos planos. te escrevo num futuro próximo que, um dia, a gente prometeu construir. e vai.
a gente correu quando tinha que estar parado. parou quando precisava correr. e agora eu quero caminhar despreocupada, de mãos dadas, sem correr nem parar. quero sentir o vento de novo, acreditando que ele não vai levar mais nada. eu acredito que trará. você também pode acreditar. e que passemos pelas curvas, pelos altos e pelos baixos. meu bem, eu só quero continuar.
hoje eu não vim mais chorar. vim abrir as janelas do quarto, vim nos iluminar. hoje eu te trago o sorriso que tu me trouxeste todas as outras vezes. hoje eu vim te devolver a felicidade que, por todo esse tempo, tu dedicaste só a mim. já chega disso. hoje eu vim brincar de dividir, de multiplicar, mas não subtrair nem uma única gota da nossa alegria.
hoje eu vim ser pra mim.
que tu também sejas pra ti.
que sejamos um pro outro.
que aconteçamos.

já amanhecemos.






acontecerá.

2 comentários:

Dança para restabelecer a lua eclipsada disse...

http://anjocanhoto.blogspot.com/

Stella Rodrigues disse...

Engraçado como mesmo sem eu ler seu blog e escrever antes e vir ler depois vira e mexe acho frase que eu escrevi haha, conexão incrivel. Hoje ela vai ser ela sem se preocupar com ele? Demorou pra isso acontecer.