sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

sobre todo o agora.

eu preciso me livrar desse chuveiro que só faz água fria sair. preciso de água quente, pelando. derretendo essa saudade quase insuportável que me quer só pra ela. fazendo amolecer essa vontade do que eu não posso ter agora. e queimando essas perguntas retóricas que gritam no meu ouvido, que reclamam atenção sem se dar conta de que - ainda que eu possa, ainda que eu deva - não quero ouvir mais nada.
são minhas defesas trabalhando, meu coração novamente se fechando. pra ver se para de chorar, se para de se preocupar. e, quer saber? não adianta. eu digo desde sempre: essa coisa de pensar.. isso não se controla. "meus pensamentos são movimentos tão involuntários quanto as batidas do meu coração". não deveria ser assim. a gente sempre pensa que pode controlar tudo.. no final a gente não controla quase nada. nem mesmo a gente.
e tem todas as palavras que travam aqui na garganta. ou nem na garganta, mas na ponta dos dedos. e dói, sabe? dói não saber falar, escrever ou apagar. confundir as razões, misturar as consequências.. deixar passar. ser inútil não é meu ponto forte. ficar parada com a boca calada e o coração na mão também não.
e tem aquele grito aqui de dentro deixando a alma surda.. só não pode ter mais nada.. por favor, que não venha. deixa a alma ficar sem ouvir certas coisas, mas não deixa ela ficar sem enxergar. que se ela não enxerga, eu também não. não de verdade.
eu não quero medir esse sentir em conta-gotas. não quero calar essa verdade - que toda essa gente só não vê porque não quer - que possui tudo de melhor que há dentro de mim. e ai de quem tente me fazer parar, ai de quem tente me fazer calar.
ai de mim.
aaah, ai de mim!
eu tenho carregado peso demais. e não adianta tentar dividir, não quero somar mais ninguém a isso tudo. que eu mesma já enxerguei tanto dentro de mim... é capaz de pesar mais, de doer mais. ainda mais agora, que não dói só aqui dentro.. mas parece que foi afetado o lado de fora também.
é a resposta, sei que é. é a risada final que eu esqueci de dar. é o que fugiu dos planos. o fruto do engano e de todo o resto. só que esse resto se tornou coisa demais. e eu não o quero mais.
eu quero um quarto ponto pra eu colar com "super bonder" no final.

4 comentários:

ticoético disse...

Sei bem como é a coisa de não saber falar,mas o importante mesmo é o "dizer",este que pode até calado,não tem barreira e nem meio específico para se fazer,pode ser com a voz,o olhar,um piscar e até um pensamento,aquele mesmo,o involuntário,não precisa saber falar,se expressar cantar ou coisa parecida,se você apenas disser,enfim,belo escrito.
abraço !

Islla Lopes disse...

Oh meu amor, como eu queria te abraçar e dizer que tudo isso irá passar, mas nós duas sabemos que não vai, a saudade é uma coisa que machuca lentamente, de todas as meneiras, e do gosto mais horrível. Eu sei bem como é essa dor, e você, lentamente, vai aprender a contornar tudo isso, pode acreditar. Te amo, fica bem.

@juusep disse...

Até mesmo escrevendo "em forma de contos" você escreve, poéticamente! UAU! Perfo.

Leti B. disse...

às vezes trava tanto que até os pensamentos fugidos e não digeridos não conseguem fluir.