terça-feira, 21 de dezembro de 2010

não há dificuldade alguma
nem neste mundo
nem em outros
que arranque
daqui de dentro
esse desejo absurdo
de sentir.

mesmo que possa doer
mesmo que possa afastar de mim
por alguns segundos
o sorrir.

são esses mais insensíveis
que só existem por fora
os que mais sofrem
por levarem consigo apenas
o vazio que traz
a companhia da solidão.

mariana andrade*

7 comentários:

Niel disse...

Mariana, parabéns! Muito lindo o poema =)

Erica Ferro disse...

Poética e intensa como sempre.
Lembrei de Clarice.

"Sabe o que eu quero de verdade?! Jamais perder a sensibilidade, mesmo que às vezes ela arranhe um pouco a alma. Porque sem ela não poderia sentir a mim mesma...
Clarice Lispector"

Beijo.

Niel disse...

Viu, Mariana? Já havia lhe comparado ao Paulo Leminski, agora a Erica Ferro lembrou da Clarice Lispector quando leu seu poema... Está indo pelo caminho certo, hein... Beijo =) Você é MIL! Você é sensacional!

Má Midlej disse...

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah, mariana!
>.<

é isso, é isso, vamo sentir tudo toda hora e acabou tsc,tsc..
insensiveis vão à merda. ¬¬

rs

beijo

Leonardo B. disse...

Por minha grande falta de jeito, mas com o desejo de também partilhar o espírito desta quadra, partilho de Vitorino Nemésio, um outro Natal,

«Percorro o dia, que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Minha alma vã desaparece
Na muita pressa e pouco amor.
Hoje é Natal. Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
E o efeito em casa saiu mal.
Valeu-me um príncipe esfarrapado
A quem dão coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado…
Só esse pobre me pareceu Cristo.»

Com um sincero desejo de uma quadra plena,
Um imenso abraço,

Leonardo B.

gabriela marques. disse...

Vivo mentindo pra mim, mas é triste a solidão.

Maria Rita disse...

Lindo Poema!

Um lindo Natal pra vc e toda a sua família!



Beijos Natalinos pra Ti