quinta-feira, 25 de março de 2010

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Virou a esquina, capotou, doeu, sofreu, também chorou. Curva maldita a que o matou, verbo bendito o que o curou! O vento sua alma levou, o corpo inerte rejeitou. Sem serventia ele seria, há tempos já morrido tinha, sem as mãos a funcionar. E a cabeça ele perdia, o coração já não batia, nem a razão o foi resgatar.
Era um tolo, um pecador, feliz fazia-se sofredor, porque com o sofrimento vinha lenta, cruel e solitária a lembrança de um amor. Então, calado, ele sorria, vivendo o antes da dor, quando no túmulo o que jazia era o que tornava-lhe vencedor.
A noite ele vestiu de dia, e o céu comparou a um palco, onde a lua reinaria desde o 1º ao 4º ato. E com seus olhos filmaria tudo o que há aonde os homens, impotentes, não conseguem alcançar.
Era, de dia, recatado, à noite até as estrelas ía. Por mim foi sempre admirado.
Era poeta e não sabia.

mariana andrade*

P.S.: Olá, queridos. Peço perdão novamente por não responder todos os comentários.. Mas saibam que eu sempre leio os textos de vocês, sempre. Obrigada por continuarem comigo. Beijos à todos. Mari.

15 comentários:

Ma.chine disse...

"A noite ele vestiu de dia, e o céu comparou a um palco, onde a lua reinaria desde o 1º ao 4º ato. E com seus olhos filmaria tudo o que há ,,,
Era poeta e não sabia..."

*-*
que lindo

Beijo
Ótima sexta

Erica Ferro disse...

Mas tu sabes que és uma poetisa, não é? ;)

Lindo, lindo e lindo!

:**

Wilian Bincoleto Wenzel disse...

Olá, Mariana!

Ter essa capacidade de poetizar momentos nos possibilita muitas coisas... Parabéns pelo talento!

Pescando sonhos, sempre.

Daiana Costa disse...

Uau! Não vou nem comentar para não correr o risco de estragar este fragmento tão belo.

Parabéns!

Tania Girl disse...

Oi, sumidaaaa...
Saudades de você.
bjos

Alan Félix disse...

Cada dia que visito aqui fico admirado com o potêncial que você tem em construir com as palavras. O texto passa uma sonoridade de alguém em alta velocidade remento a tragédia que narra.

evelyn andrade disse...

às vezes te leio e penso que já tens maturidade de uma adulta, mas continuas sendo jovem... jamais palavras de criança, apesar de continuares sendo uma pra mim. lindo isso, pareceu teatro mágico pra mim. adorei.
beijos, te amo.

Carolzinha_Hermanas. disse...

Bela poeta :)


-
Beeeijinhos;

Mari disse...

Xará, que coisa linda. Como tu és talentosa. Perfeito, viciei. Virei sempre.

até breve.

Sylvia Araujo disse...

Menina, menina... que texto lindo, cheio de sonoridade, quase dá pra dançar! E o final, que coisa deslumbrante. Sua sensibilidade me admirou.

Meubeijopravocê

Juliana Mendes disse...

Que munitinhoo...
de dia era recatado, e a noite ia as estrelas..
a noite é a melhor parte do dia, liberta qqr coisa...
VERDADEE!!


^^

adoray!! continuarei vindo!
beijo

Mais um imundo no mundo impuro. disse...

Vou confessar, eu fiquei 03 minutos tentando pensar em algo pra comentar sobre o texto, mas é impossível alcançar ou se quer chegar perto da graça alcançada por suas palavras, se Romário teima em dizer que Deus apontou pra ele e disse que ele é o cara, eu teimo em dizer que Deus apontou pra você é disse: - Essa é a prodígio!

Abraços

Marcelo disse...

bonitas rimas guria...massa


beijos

Erica Vittorazzi disse...

Ai que lindo!!!! Acho que no fim, os poetas se descobrem tal!!!

Beijo

Regina Zanette disse...

Que blog lindo. Estou seguindo, adorei todos os textos que eu li, embora não se pareçam comigo. Beijo.