quinta-feira, 21 de maio de 2009

Quando voltou a brilhar o sol,


E ele dirigia a 1000 por hora, sem se preocupar com o que aconteceria. Corria. Fugia do desconhecido. Não importava o que havia deixado pra trás. Ele queria o novo, o verdadeiro. Como diz a canção “pra existir história tem que existir verdade”. A cada segundo aumentava a velocidade, crescia a vontade de descobrir o que havia na frente. Corria. Colocava os braços pra cima como em uma montanha russa. O som estava no ultimo volume. Dançava. Havia se esquecido de absolutamente tudo. Naquele momento ninguém mais existia, era seu momento, apenas seu. Momento de revelação, de descoberta, e cada segundo deveria ser o melhor possível.

Mas o futuro nem sempre é como a gente espera. Estranha frase. Como se ele pudesse prever o que haveria de acontecer dali pra frente. Como se ele pudesse realmente se esquecer de tudo. Quero dizer, as lembranças costumam atormentar, é assim que sempre acontece, certo?

O céu escureceu de uma hora pra outra. Nuvens pareciam formar-se somente em cima dele. “Coisa da minha cabeça?”, questionava a si mesmo. Talvez sim, talvez não. Nem sempre o que vemos é realmente definitivo. Alguns filósofos acreditam que é preferível a razão aos sentidos.

Chovia forte a essa altura. Quando outro carro passou ao lado do seu. Pra falar a verdade, não sei se posso chamar aquilo de carro. Era mais uma imitação de qualquer coisa que ande. Velho, caindo aos pedaços, quase não existia. Mas aquele ‘pedaço de qualquer coisa’ pareceu trazer o sol de volta ao seu lugar. Não pela aparência. Talvez haja bem mais do que isso. Aparências não podem mudar o mundo, afinal. Ou será que podem? O que importa é que a pessoa dentro do “carro” sorria. Sorria não somente com seus dentes naturalmente brancos, mas com a alma. Sorriso verdadeiro, não de quem passou somente um dia feliz, mas de quem realmente vive, de quem aprendeu que com os erros a gente cresce; é cair e se levantar, não importa quantas vezes tivermos de repetir o processo.

E acordou. Estava estacionado diante de sua casa. Saiu do carro, abriu o porta-malas, havia um mundo de sacolas cheias de roupas e objetos pessoais. Tirou tudo de lá, abriu a porta da casa e jogou seus pertences em cima da cama. Percebeu que não havia fechado a porta do carro. Voltou. Surpreendeu-se. No banco de carona havia um bilhete, um pedaço de papel bem amassado, na realidade. “Será que realmente não passou de um sonho?”, era o que o bilhete dizia.

Então ele entrou novamente no carro, acelerou, mas, dessa vez, tomou cuidado com o limite de velocidade. Olhou-se no espelho. Ele sorria, e nem mesmo sabia por que. Simplesmente sorria. Então olhou pra frente, e seguiu, sem destino certo, decidiu deixar o vento em seus cabelos levá-lo pra onde desejasse. Não importava pra onde iria, a única coisa que realmente importava era o que levava no rosto. Seu sorriso, o sorriso mais significativo que havia dado na vida.


Partiu, e não olhou pra trás.

Um comentário:

evelyn andrade disse...

não li até o final, mas sacas que ouvi essa música do 'pra existir história tem que existir verdade' e escrevi algo pensando nessa frase exata.
te amo. beijos.