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E a língua sentiu
primeiro o doce
era só mel
escorrendo não apenas pela boca
mas pelo corpo todo
fora e dentro
de dentro pra fora.
tornando-se mais que gosto
foi som também
e foi sensação.
estranha sensação.
foi salgada, então
pois já havia demais na fórmula
o gosto mudou
de uma hora pra outra
começou de um jeito,
terminou de outro.
não, não terminou.
ainda teve mais.
veio também o azedo.
um gostinho meio cítrico,
que não cheirava limão.
não tinha cheiro, na verdade.
indefinido, como sempre.
então trocou de forma, novamente.
chegou a hora.
amargo.
muito amargo.
fazia os olhos revirarem-se.
e boca ficar cheia de tensão.
sem atenção.
nem distinção.
só pressionada.
contra os dentes.
lábios sangrando.
pingando vermelho no chão.
que acabara de ser limpo.
pena.
que pena.
mas é assim.
não espere respeito de tal substância.
respeite-a você.
que é feito dela.
respeite seu gostos.
e suas mudanças.
respeite seus rostos,
a sua idade,
suas andanças.
porque você
é apenas um misto deles.
delas.
de tudo.
você é a experiência.
por vezes, sem sucesso.
agora, diga-me, funcionou?
ou nada vale?
mariana andrade*