segunda-feira, 17 de março de 2014

paz.aguarda.

no escuro enxergo com clareza as coisas que não consigo ver. enxergo o tato, toco o toque dos dedos. viro de um lado para o outro até que alcanço o ritmo. permaneço em movimento constante, desesperado. rodo a cabeça, as pernas, a vida viva que vivo via de regra, via direta. olho diretamente pra frente, escuto um chamado mudo em meu peito surdo. o som fica mais baixo conforme me aproximo. a vontade grita à mente um querer que me tira (ou aflora?) os sentidos. sobra um saber sinestésico meio anestésico. contra a inverdade e a incerteza de um mundo onde pouca coisa é certa e sincera, me curo das dores misturando o nada com o nada. tudo o que acende a alma brilha nas paredes, no armário, na janela do quarto. é magnética a ideia que me conduz sem guiar. atravesso o tempo, saio do espaço, não caibo. foi traçada a linha imaginária por onde passam os pés, por onde rasteja o espírito, voa o corpo. foi sonhado e quisto esse plano, esse traço, essa ideia. espremo e exprimo a execução. exercito a calma. tenho em mim exército armado de um desarmar estratégico. antes da ida, a escrita, a fala, a poesia, a prosa vomitada de todos os dias. a partida é um parto. nasce da saudade o futuro esperado, conquistado. objetivo sem notas de modo subjuntivo. será.

2 comentários:

Lucas Hage disse...

Atrevimento meu, com ou sem fundamento, nas linhas bonitas que vomitas.
Da paz que te aguarda, te guardo do escuro.
Parabéns menina-poeta

Adriana Ribeiro disse...

"a partida é um parto. nasce da saudade o futuro esperado, conquistado". Essa foi a frase mais linda e a mais verdadeira que li nesses ultimos dias..continuo amando teus versos marii! (: