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sábado, 7 de novembro de 2009

Diário de uma encarcerada.


Em meu primeiro furto, estremeci.
Senti medo de ser descoberta.
E de que o plano que eu dizia ser infalível
era, na realidade, tão falho quanto eu.
Porque não conheço pessoa mais falha do que eu mesma.
Só o que é eficaz é minha humildade morta.
Ajude-me a recuperá-la?

Em meu segundo furto, despreocupei-me.
Não era a primeira vez, afinal.
Já havia se passado a fase do medo.
Agora eu queria aceitação.
E também um pouco de confiança.
Providenciadas essas coisas,
o máximo que poderia acontecer era ser vista,
mas eu sei correr bem rápido...

Em meu terceiro furto, a ficha caiu.
Vi que eu deveria estremecer por ficar despreocupada.
Assim como eu brinco com as palavras,
o faço com as coisas que anseio.
E, continuando a comparação,
ambas podem voltar-se contra mim.
Todo o humano já se vingou uma vez, creio.

Furto sentimentos de quem não cuida bem deles.
Os tiro das suas mãos cheias de suor frio,
e elas me dizem que nem fará falta.
Furto para o meu próprio uso.
Estou mesmo precisando de um pouco mais
de ódio-amor.

mariana andrade*